Sobre os Horizontes

Há dois horizontes em nossa vida: o primeiro, batizei de saudade, o segundo de agonia. Saudade, quem sabe, o amor torne a florescer; agonia de te olhar nos olhos e desejar tua boca. Horizontes que todas as noites se cruzam, lutam entre si para saber qual dos dois dominará meu dia seguinte. Essa saudade mal dormida que caminha por entre a esperança dos tempos que hão de chegar, deixando fruta na cesta para alimentar um passado que se foi e um futuro que ainda não nasceu. Por alguns minutos, me perco com a agonia, conto histórias para ela dormir, mas teima comigo, deixando o gosto amargo das lembranças se misturar com meus sentidos – um doce amigo que dispenso. São virações poéticas de uma alma incompreendida, talvez velha e por isso ranzinza. Não quero mais horizontes com pôr-do-sol, ou cantigas à beira do mar. Prefiro mesmo, te juro, dormi sobre a grama do nosso quintal, eternizar essas conversas intermináveis e imaginativas de nós dois. E vão, então, se cruzando nossos horizontes, sofridos ou inacabados, flores com espinhos não retirados, arrancando gotas de sangue das nossas fracas e adormecidas tentativas.

Há dois horizontes, hoje, em minha vida: nós e o tempo.

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