Paredes Vazias e Cômodos Cheios de Segredos.

A noite era longa demais, sussurrei segredos às paredes e elas estavam me engolindo a cada respirar, cada tijolo, cada parte coberta por pintura estava me observando, esperando que eu fizesse apenas mais uma declaração. Não suporto guardar um corpo vazio por cima da cama. O meu espírito vaga pelos cômodos e volta para o mesmo lugar. Pensei em quebrar as paredes, mas o sofá escutou versos tenebrosos de minha boca enquanto eu adormecia, as almofadas me perseguiam e a escrivaninha me atirava o seu corpo em qualquer esquina. 

O violão me declarava suas frases enquanto meus pés faziam a batida de meu peito aflito. Eu estava enlouquecendo aos poucos, enquanto às cortinas com o vento assoviava o meu passado. Não vou sair dessa casa, mas ela mesma me entrega. As janelas, elas se batem contando com gotas de chuva o meu lado mais doce, a minha entrega mais cruel. As portas estão trancadas do lado de fora, eu estou perdida, o lençol está tentando me enforcar.

O canto da parede é frio, ele está pálido, nada irá me ajudar. Apoiada com a cabeça sobre os joelhos, até mesmo o tic-tac do relógio se pôs a me condenar. Ela repete as mesmas palavras, e o com ele me leva o tempo, as horas, os segundos e até mesmo este momento.

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